Nova exigência da Receita Federal impacta a abertura de empresas
Tributário
8 de jul. de 2025
Você já imaginou precisar definir toda a estratégia tributária da sua empresa antes mesmo de ela existir formalmente? Essa passou a ser a realidade para quem pretende abrir um negócio no Brasil. Uma recente mudança promovida pela Receita Federal alterou uma etapa sensível do processo de constituição empresarial e tem gerado dúvidas, preocupações e riscos para empreendedores de todos os portes.
Entenda o que mudou e como essa exigência pode afetar sua empresa desde o primeiro dia.
O que mudou no processo de abertura de empresas
Até pouco tempo, o empreendedor tinha um prazo relativamente confortável para definir o regime tributário após a obtenção do CNPJ. Em regra, essa escolha podia ser feita em até 30 dias após a inscrição ou até o primeiro fato gerador de tributos, o que permitia uma avaliação mais cuidadosa da atividade, do faturamento estimado e da estrutura do negócio.
Com a nova exigência da Receita Federal, esse cenário mudou. A escolha do regime tributário passou a ser obrigatória no momento do pedido de inscrição do CNPJ, ou seja, ainda na fase inicial da constituição da empresa. Sem essa definição prévia, o processo de abertura simplesmente não avança.
Na prática, a decisão deixou de ser um ajuste posterior e passou a ser um requisito essencial desde o início, com efeitos imediatos sobre a tributação e as obrigações fiscais da empresa.
O que é o regime tributário e por que ele é tão importante
O regime tributário define como a empresa será tributada, quais impostos serão recolhidos, a forma de cálculo e as obrigações acessórias que deverão ser cumpridas. No Brasil, os principais regimes são o Simples Nacional, o Lucro Presumido e o Lucro Real, cada um com regras próprias, vantagens e limitações.
Essa escolha impacta diretamente:
a carga tributária mensal;
o fluxo de caixa;
o nível de complexidade das obrigações fiscais;
o risco de autuações e penalidades.
Uma opção inadequada pode gerar custos desnecessários e comprometer a saúde financeira do negócio logo nos primeiros meses de operação.
O que muda na prática para o empreendedor
Com a antecipação da escolha do regime tributário, o empreendedor passa a ter menos margem de adaptação. Antes, era possível iniciar as atividades, compreender melhor o mercado e, com base em dados mais concretos, optar pelo regime mais vantajoso. Agora, essa análise precisa ocorrer de forma prévia, muitas vezes ainda com projeções e estimativas.
Isso exige uma decisão estratégica já na fase inicial do negócio, considerando fatores como faturamento esperado, tipo de atividade, estrutura societária e perspectiva de crescimento. Qualquer erro nessa etapa pode gerar impactos relevantes ao longo de todo o exercício fiscal.
Além disso, a mudança tende a aumentar a burocracia no momento da abertura, tornando o processo mais técnico e menos intuitivo para quem não tem familiaridade com a legislação tributária.
Reflexos diretos na tributação e no planejamento financeiro
A definição antecipada do regime tributário influencia diretamente o planejamento financeiro da empresa. Tributos pagos a maior ou a menor afetam preços, margem de lucro e capacidade de investimento. No caso de micro e pequenas empresas, esse impacto é ainda mais sensível, pois o capital inicial costuma ser limitado.
Uma escolha precipitada pode resultar em:
pagamento de impostos acima do necessário;
dificuldades para cumprir obrigações acessórias;
necessidade de retificações e ajustes futuros;
exposição a multas e juros.
Por outro lado, uma decisão bem fundamentada desde o início contribui para maior previsibilidade e organização financeira.
Consequências para micro e pequenas empresas
Embora a exigência se aplique a empresas de todos os portes, seus efeitos são mais intensos para microempreendedores e pequenas empresas. Esses negócios, em geral, contam com menos recursos para absorver custos iniciais elevados e dependem de maior flexibilidade nos primeiros meses de atividade.
A perda da possibilidade de ajuste posterior reduz a capacidade de adaptação e aumenta o risco de decisões equivocadas. Além disso, a complexidade técnica da escolha do regime tributário pode afastar empreendedores da formalização ou levá-los a optar por caminhos menos seguros.
Nesse contexto, a nova regra exige maior preparo e planejamento antes mesmo do início das atividades empresariais.
Avalie com atenção o impacto dessa mudança antes de protocolar o pedido de CNPJ.
O papel do jurídico diante da nova exigência
A antecipação da escolha do regime tributário reforça a importância de uma atuação jurídica preventiva. O acompanhamento especializado permite analisar o modelo de negócio, os riscos envolvidos e a compatibilidade da atividade com cada regime tributário disponível.
O papel do jurídico não se limita à formalização da empresa. Ele envolve:
interpretação correta da legislação aplicável;
análise de enquadramento tributário adequado;
identificação de riscos fiscais e societários;
integração com o planejamento contábil e financeiro.
Essa atuação conjunta reduz a probabilidade de erros e garante maior segurança na tomada de decisões estratégicas.
Integração entre jurídico e contábil
Diante da nova exigência, torna-se ainda mais relevante a integração entre assessoria jurídica e contábil. Enquanto o contador avalia números, projeções e impactos financeiros, o jurídico analisa o enquadramento legal, as limitações normativas e os riscos regulatórios.
Essa abordagem integrada permite uma visão mais completa do negócio, evitando decisões baseadas apenas em estimativas isoladas. O resultado é uma estrutura empresarial mais sólida desde a sua constituição.
Empresas que adotam esse modelo tendem a enfrentar menos problemas fiscais e jurídicos ao longo do tempo, especialmente em momentos de crescimento ou mudança de atividade.
Segurança jurídica desde o início das atividades
A principal vantagem de um planejamento adequado é a segurança jurídica. Definir corretamente o regime tributário desde a abertura reduz o risco de questionamentos futuros pela Receita Federal e evita passivos fiscais que podem comprometer a continuidade do negócio.
Além disso, a conformidade desde o início transmite maior credibilidade perante parceiros comerciais, instituições financeiras e investidores. Em um ambiente empresarial cada vez mais regulado, estar em dia com as obrigações fiscais deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de sobrevivência.
Como se preparar para a nova realidade
Para lidar com essa mudança de forma segura, alguns cuidados são essenciais:
analisar previamente o modelo de negócio e o faturamento estimado;
compreender as características de cada regime tributário;
buscar orientação jurídica e contábil antes da abertura;
evitar decisões apressadas apenas para acelerar o processo de inscrição.
O tempo investido nessa etapa inicial pode evitar custos elevados e retrabalho no futuro.
Resumo final
A nova exigência da Receita Federal antecipou a escolha do regime tributário para o momento da inscrição do CNPJ, alterando significativamente o processo de abertura de empresas. A decisão, que antes podia ser ajustada após a constituição, agora precisa ser estratégica desde o início. Essa mudança aumenta a burocracia e os custos iniciais, especialmente para micro e pequenas empresas, mas também reforça a importância do planejamento tributário. Com apoio jurídico e contábil adequado, é possível reduzir riscos, garantir conformidade fiscal e estruturar o negócio com mais segurança desde o primeiro passo.
Busque assessoria jurídica especializada e tome decisões seguras antes de abrir sua empresa.





